Um milhão de euros para fardamento no S. João

Ver dinheiros públicos serem mal gastos já é algo que não nos surpreende, desde o 25 de Abril que se assiste a um verdadeiro assalto aos cofres do Estado.

Numa época de crise como aquela que atravessamos esta situação ganha ainda mais contornos de situação escandalosa.

O contribuinte vai ver os seus impostos aumentar e os salários a reduzirem enquanto o Estado continua a gastar mais e mais.

Depois de escândalos como as 170 nomeações para o governo em Setembro e Outubro ou os cinco milhões gastos em material “bélico”, desnecessário, para a PSP (ler post sobre o tema aqui), eis que hoje surge uma notícia que nos deixa, no mínimo, boquiabertos…

No Hospital de S. João, no Porto, o pessoal de todas as áreas funcionais vai passar a usar fardamento desenhado por Nuno Gama.

O “segredo” foi revelado ontem, depois da revelação feita, em tom muito crítico, pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM).

A administração do maior hospital do Norte do país já veio confirmar a notícia.

Nuno Gama desenhará assim as novas fardas, túnica e calças, numa conta que ultrapassará o milhão de euros…

Jorge Silva, dirigente do SIM, considerou “insultuoso” que o hospital avance com esta despesa num momento como o que se vive, explicando assim o tom da nota publicada no site daquele sindicato, “num dia em que os trabalhadores manifestam o seu desencanto e revolta pelo recurso à arma extrema que é a greve conjunta a nível nacional”.

Este gasto é ainda mais inusitado quando o hospital de S. João, tendo em conta a crise, vai efectuar cortes na remuneração dos administradores, no trabalho extraordinário do pessoal, na contratação de novos elementos e, no fornecimento de água engarrafada aos doentes.

O valor avançado pelo SIM não é confirmado nem desmentido pela administração do São João (quem cala consente…), que, face à denúncia, acabou por divulgar pormenores desta compra. A administração alega que há três anos que o hospital “não adquire quaisquer fardamentos para os seus profissionais, havendo risco de ruptura de stock”, os responsáveis explicam que, depois do trabalho gracioso de Nuno Gama, na concepção, já gastaram 25 mil euros no desenvolvimento das fardas, “o “book técnico” que inclui a escolha de tecidos, cores, repelentes, etc.”.

Depois disso, “foi solicitada a concretização dos protótipos (batas, fardamento de médico, fardamento de enfermeiro, fardamento de assistentes operacionais, fardamento de assistentes técnicos), tendo o São João despendido a quantia de 4900 euros”

A minha questão é muito simples… para combater esta possível ruptura de stock é preciso que as fardas sejam desenhadas por um estilista?!?

A administração não adianta a data, a partir da qual, todos passarão a usar o novo fardamento mas, assume que pretende, na festa de Natal da instituição, apresentar os protótipos ao pessoal, num desfile em que os funcionários serão, eles próprios, os modelos. E nem este aspecto escapou à crítica do SIM, que fala numa “lúdica e feérica passagem de modelos (já escolhidos… vá lá que com a prata da casa) para apresentação do new look daquela nobre instituição”.

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