Parente acusa Turismo de Portugal de saber que sem patrocínio não seria piloto da Virgin

Álvaro Parente foi contratado como piloto de testes da Virgin Racing enquanto o Turismo de Portugal (TdP) negociava um acordo de patrocínio com a escuderia inglesa. O instituto estatal tem dito sempre que nunca houve relação directa entre os dois acordos, mas os empresários do piloto portuense alegam que o TdP sabia que uma coisa dependia da outra.

“O Turismo sabia perfeitamente as responsabilidades que assumiu, até porque lhes enviámos o contrato da Virgin com Álvaro Parente”, avançou ao PÚBLICO Luís Correia, responsável da Polaris Sports, empresa do universo de Jorge Mendes que gere a carreira do piloto portuense. E o contrato que Parente assinou com a Virgin incluía uma cláusula de rescisão caso o patrocínio do Turismo de Portugal não se concretizasse.

Como o acordo para um patrocínio de três milhões de euros (e não dois, como tem sido referido) do Turismo de Portugal à Virgin não se concretizou, a escuderia britânica retirou a Parente o lugar de piloto de testes, com o piloto a acusar o organismo estatal de ser o responsável pela sua exclusão da Fórmula 1.

O Turismo de Portugal iniciou, no ano passado, negociações com a Virgin, interessado no facto de se tratar de um grupo turístico. Já Álvaro Parente afirma ter sido abordado pelo Turismo para dar preferência à Virgin, o que fez, em detrimento de outras equipas.

Iniciaram-se então negociações entre a Virgin e o TdP, processo em que os representantes de Álvaro Parente também estiveram presentes. “A melhor prova do envolvimento do Álvaro nas negociações é que estivemos em quase todas as reuniões entre o Turismo e a Virgin”, destaca Luís Correia, para quem é “triste ver um organismo estatal insistir na política de tapar o sol com a peneira”.

Contactado pelo PÚBLICO, o porta-voz do TdP remeteu para o comunicado ontem emitido pelo organismo. Nesse documento é dito que nos contactos com a Virgin “foi expressamente excluída qualquer negociação tendente a apoiar a hipotética integração do piloto Álvaro Parente na escuderia Virgin Racing.”

O fracasso no acordo entre a Virgin e o Turismo de Portugal – ditado pelo secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, que parou o patrocínio – levou à exclusão de Álvaro Parente da equipa inglesa e deu início a uma “guerra” entre os representantes do piloto e o organismo estatal, que pode mesmo acabar nos tribunais: “Está tudo em aberto”, afirma Luís Correia.

Também ontem uma fonte do TdP reagiu ao e-mail divulgado na véspera pela Polaris Sports, que citava o vice-presidente do TdP, Frederico Costa, a dar conta à Virgin de que o organismo tinha aprovado a ideia de seguir em frente com o patrocínio que servia para ajudar Álvaro Parente e promover a imagem de Portugal como destino turístico. “O e-mail invocado pela Polaris como demonstrativo de eventual compromisso do TdP é a marcar uma reunião. Tratava-se da primeira reunião, onde se iniciaram as negociações. É incorrecto apresentá-lo como se se tratasse de um compromisso”, disse fonte do TdP à Lusa.

Segundo os dados a que o PÚBLICO teve acesso, o acordo entre a Virgin e o TdP, que não chegou a ser assinado, previa que os pilotos da escuderia (incluindo Álvaro Parente) entrassem em campanhas do Turismo, além de a imagem do TdP aparecer nos carros da equipa e de terem sido equacionados testes no circuito do Algarve e roadshows com o carro de F1 em Lisboa e Porto.

Continuemos a gastar dinheiro em barragens e tgv’s em prol do turismo e do desenvolvimento sustentável… Este é só mais um exemplo

Fonte: Jornal Público/Hugo Daniel Sousa

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