As redes sociais nos movimentos cívicos

As redes sociais desempenham, nos dias de hoje, um papel fundamental na forma como comunicamos e nas nossas relações, não só sociais, como também profissionais.

Depois do “boom”, com a campanha de Barack Obama nas presidenciais americanas, a nova forma de comunicar consolidou-se com causas menos felizes como o sismo do Haiti. Já em 2011, Facebook, Twitter, e outras redes, assumiram um papel fundamental na mudança de consciências e de políticas, materializado nas mudanças de regime na Tunísia e Egipto.

Em Portugal, a primeira grande experiência com esta forma de comunicar, surgiu de uma tragédia, as enxurradas da ilha da Madeira. As comunicações na ilha e, para fora, eram quase impossíveis mas, o Youtube e o Twitter, principalmente, serviram para os jornalistas terem acesso a imagens e informação para exercerem a sua função.

80 mil na Avenida dos Aliados, Porto

Durante 4 horas, por exemplo, Alberta Marques Fernandes esteve, em directo, na RTPN, dando toda a informação possível recorrendo aos vídeos que iam sendo colocados no Youtube e as mensagens que eram postadas via Twitter.

Um pouco mais tarde, as redes sociais começaram a entrar na vida política nacional e, desde campanhas eleitorais, a páginas oficiais de partidos e líderes, todos foram marcando presença online.

A confirmação da importância deste novo paradigma na comunicação, em Portugal, tardava em acontecer. Mesmo depois o que se ia passando a nível mundial.

Durante um concerto, os Deolinda, entoaram uma canção que ganhou honras de hino para um movimento de insatisfação, que culminou no passado Sábado, dia 12, com gigantescas manifestações em Lisboa e Porto.

No Facebook surgiu o movimento “Geração à Rasca”, que convocava os jovens a manifestarem-se contra as políticas que diminuem as suas condições de vida.

Associado à música, “Que parva que sou”, que entretanto ao Deolinda acabaram por editar, o movimento ganhou forma de depois de Lisboa, estendeu-se para o Porto, para, no final, estar activo em 11 cidades portuguesas (Lisboa, Porto, Faro, Coimbra, Leiria, Aveiro, Viseu, Braga, Guimarães, Guarda e Funchal), e algumas capitais como Madrid, em Espanha ou mesmo Maputo, em Moçambique.

O Facebook foi a rede eleita para a divulgação do protesto mas, o Youtube, o Twitter, e a blogosfera, assumem igual responsabilidade nas massas que saíram para a rua.

Apesar dos mais de 60 mil “gosto”, que a página do movimento no Facebook, contabilizava, muitos vaticinavam um fiasco na materialização do protesto em manifestação.

A verdade é que os “velhos do Restelo” se enganaram e os protestos uniram perto de meio milhão de portugueses pelo Mundo, com Lisboa e Porto a assumirem-se como palcos principais, 200 mil protestaram na capital e 80 mil rumaram aos Aliados, na invicta.

Os 60 mil multiplicaram-se e juntaram-se no maior movimento social desde o 25 de Abril ou o 1º de Maio de 1974.

No Twitter a hashtag mais utilizada no dia 12 foi #manif e a timeline era inundada a cada segundo com mais e mais mensagens. No Youtube os vídeos começaram a ser postados ainda decorria a manifestação e a pesquisa “geração à rasca” dá milhares de resultados. No Facebook são as fotografias e os comentários que lideram.

Definitivamente, as redes sociais estão já enraizadas no nosso dia a dia e muito do que fazemos passa pela nossa vida nestas plataformas de comunicação.

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