Até a ignorância deve ter limites

A semana que agora termina fica marcada pela propagação, nas redes sociais (especialmente no facebook), de um vídeo feito pela revista Sábado, num Vox Pop com estudantes universitários.

Muitos dos que estão a ler este texto sabem a que vídeo me refiro. Tomei conhecimento dele precisamente no facebook e não pude deixar de ficar… estupfacto.

É certo que neste tipo de rúbricas, são aproveitados os “melhores momentos” para serem exibidos num vídeo só, mas, de alguma forma, servem também como barómetro para todo o tipo de análises.

 No referido vídeo, é colocado um conjunto de 10 questões a um grupo de 100 estudantes do  ensino superior, de algumas universidades de Lisboa.

O vídeo é marcado pelas mais ridículas respostas que, nos fazem ir ás lágrimas de tanto rir mas, passada a euforia, se lágrimas houver é porque, então, toda e qualquer esperança de um futuro auspicioso com as futuras gerações se esvaiu a cada síliba proferida nas respostas dos nossos estudantes universitários.

Numa altura em que tanto se fala da burrice de uma concorrente, de um reality show em exibição, as comparações tornam-se quase obrigatórias. No caso da ignorante mais famosa do país, falamos de uma pessoa que trabalha como auxiliar de acção médica (sem descrédito algum para quem exerce a profissão), e está a tirar o 12.º ano, à noite, no programa “Novas Oportunidades”. Os que respondem a este inquérito são estudantes universitários de cursos como Psicologia e Ciências da Cultura, por exemplo.

É certo que o nosso sistema de ensino está a anos luz de ser perfeito, ou sequer, muito bom mas, não saber quem é o autor de “Os Maias”, desconhecer quem é a chanceler alemã ou o presidente da Comissão Europeia, está muito para além do estado do sistema de ensino.

Este tipo de respostas, ou não-respostas, são a evidência de que os nossos jovens, ou parte deles, estão completamente alienados da realidade em que vivem dia-a-dia. Como jovem, sinto-me envergonhado ao ouvir tais absurdos e lamento que sejam estes os jovens que transmitem a imagem de uma geração a todo o país.

Queiramos ou não, este vídeo dá argumentos a quem não apoia esta geração. Para quê apoiar uma geração que não se importa sequer com o que se passa à sua volta? A pergunta é legítima e deixa pouco espaço para a argumentação, a resposta: “isto não é, sequer, uma amostra da nossa geração”, já não pega, por muito legítima que também seja.

No final fica a esperança que este não seja, de facto, o espelho da nossa geração.

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