Samoa salta a próxima sexta-feira para acertar calendário

Para todos os que vêem a sexta-feira como aquele dia interminável que nunca mais dá lugar ao fim-de-semana, as autoridades de Samoa têm uma solução: por que não riscá-lo simplesmente do calendário? Pelo menos é o que acontecerá esta semana, quando a nação insular do Pacífico puser em prática mais uma decisão radical do seu primeiro-ministro, Tuilaepa Sa’ilele Malielegaoi. Samoa vai mudar de fuso horário e, com isso, passar de um lado para o outro da linha do Tempo Universal Coordenado.

O Governo samoano quer ficar do mesmo lado do calendário que os seus vizinhos (e principais parceiros comerciais) Austrália e Nova Zelândia. “Desviar” a linha internacional da data – o que implica passar, este ano, directamente de quinta-feira para sábado – evitará desencontros entre estas nações. 

Até aqui, quando Samoa estava na sexta-feira, já era sábado em Sydney e Auckland; e a segunda-feira australiana e neozelandesa calhava no domingo samoano. “Estávamos a perder dois dias de trabalho por semana”, analisa o primeiro-ministro, em declarações ao jornal de língua inglesa Samoa Observer, citadas pela CNN.com.

A decisão não está, porém, a ser recebida com agrado em todo o país, que tem 180.000 habitantes. A maioria da população, é certo, encara a coisa com a bonomia característica dos polinésios – já corre mesmo a piadola de chamar a este dia inexistente TGIF “Thank God It’s Friday” (Graças a Deus é Sexta-feira). Aliás, os samoanos já têm tradição neste procedimento: em 1892, o rei de Samoa tinha cruzado a linha internacional da data em sentido contrário, para acertar o calendário com o porto de São Francisco, EUA (nessa altura, houve dois feriados do 4 de Julho).

Mas o sector do turismo está inconsolável. Samoa era o último lugar do mundo onde se podia ver o pôr-do-sol, um programa aparentemente muito popular para casais em lua-de-mel. A partir de agora, o paradigma muda. Samoa será o primeiro sítio do mundo a ver o dia acabar. Pode não ser tão romântico, mas garante-lhe o título de primeira nação a entrar em cada ano novo. Começando já em 2012. Sem esquecer que, com a Samoa Americana a uma hora de voo e do outro lado da linha internacional, será possível comemorar o aniversário ou alguma data especial dois dias seguidos.

Esta não é a primeira decisão radical de Tuilaepa Sa’ilele Malielegaoi. Há dois anos – e numa medida bem mais polémica – os samoanos passaram a conduzir pela esquerda, para facilitar a importação de carros em segunda mão da Austrália e Nova Zelândia. Houve tumultos, protestos e até actos de vandalismo sobre a nova sinalização, mas a medida manteve-se.

Fonte: Público

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