“O Artista” e “Drive” – os filmes de 2011 (texto de Inês Silva)

“Há momentos infelizes em que a solidão e o silêncio se tornam meios de liberdade.”

Paul Valéry

Estamos em altura dos maiores prémios da indústria cinematográfica, e a tendência é sempre tentar ver o máximo de filmes possível e tentar perceber se a opinião dos “grandes senhores” vai de encontro á nossa.

Esta crónica tem um toque mais pessoal, pois falo sobre o que para mim são, sem dúvida, os dois melhores filmes de 2011.

DRIVE – Nicolas Winding Refn

Toda gente dizia que este filme era incrível, diferente e envolvente. Demorei para conseguir vê-lo e realmente são apenas três das palavras que o definem.

Uma história que noutro contexto até poderia ser vulgar, mas junta-se um impressionante Ryan Gosling, uma fotografia incrível e uma banda sonora que nos transporta durante 100min e temos possivelmente um dos melhores filmes dos últimos anos.

O filme fala sobre a solidão, o isolamento e ao mesmo tempo sobre a paixão e a generosidade. Isto tudo dentro de um espaço frio, duro e violento. A personagem de Driver é um ser humano cru, duro, sem expressão. Até que encontra aquilo que nunca tinha tido e de que se refugiava em múltiplos trabalhos. Amor.

Momentos tranquilos esticam até momentos de silêncio sufocantes, violência explosiva que inevitavelmente nos leva às quase lágrimas na frame seguinte. Sem dúvida que este filme vive do som, quer pela violência dos motores e pelo rasante som de tiros, como pela ausência dele.

Ficha Técnica

Realizador: Nicolas Winding Refn

Argumento: Hossein Amini (argumento), James Sallis (livro)

Actores: Ryan Gosling; Carey Mulligan; Bryan Cranston; Albert Brooks; Oscar Isaac; Christina Hendricks; Ron Perlman

Produtor: Marc Platt; Adam Siegel

Fotografia: Newton Thomas Sigel

Banda Sonora: Cliff Martinez

 O ARTISTA – Michael Hazanavicius

Cada vez mais acredito que tudo é um ciclo, e que coisas que achamos que nunca vão voltar, passam a ser moda novamente e a terem mais valor do que na época em que nasceram.

Filme mudo – pois quem acreditava que voltar a fazer um filme mudo iria ser a sensação de 2011? Uma produção francesa que não é mais do que uma homenagem ao cinema dos anos 30.

A imagem a preto e branco, a música sempre ritmada que faz com que passemos todo o filme a bater com o pé, as gargalhadas e as lágrimas. Isto tudo sem uma única palavra falada.

Poucos filmes mudos vi na minha vida, mas depois de ter visto O Artista, vou passar a ver mais. Voltamos ao passado, ao fascínio do cinema, quando as mulheres vestiam vestidos compridos e os homens smoking e os filmes eram acompanhados por uma orquestra. Tudo é realmente bonito.

O sucesso e declínio de um artista, o amor mudo de uma mulher e acima de tudo…um cão.

Este cão que para mim faz o filme e deveria ganhar todos os prémios de melhor actor.

Todo o elenco foi meticulosamente escolhido e bem enquadrado, a fotografia é extremamente fiel e a banda sonora cria toda a história, e assim percebemos a importância dos efeitos sonoros num filme.

Ficha Técnica

Realizador: Michel Hazanavicius

Argumento: Michel Hazanavicius

Actores: Jean Dujardin; Bérénice Bejo; John Goodman; James Cromwell; Penelope Ann Miller; Uggie – o Cão

Produtor: Thomas Langmann

Fotografia: Guillaume Schiffman

Banda Sonora: Ludovic Bource

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