Campanha polémica contra criminoso de guerra invade as redes sociais

O objectivo é capturar Joseph Kony, que terá recrutado um exército de crianças. Mas muitos põem em causa as reais intenções dos fundadores da campanha

O sucesso da campanha lançada pela ONG norte-americana ‘Invisible Children’ contra Joseph Kony percorreu o mundo e já conta com mais de 70 milhões de visualizações. Mas apesar do apoio que receberam de milhares de anónimos nas redes sociais, surgem agora críticas quanto à utilidade e veracidade dos factos revelados no vídeo.

A captura do líder do ‘Lord´s Resistance Army’ – um grupo militar acusado de violar os direitos humanos no Uganda – é o principal objectivo da ‘Invisible Children’. Condenado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra, Kony conseguiu escapar e suspeita-se que estará escondido algures na República Central Africana.

Durante as duas últimas décadas, a LRA terá raptado milhares de crianças para combater em seu nome. Algumas terão sido torturadas, mutiladas e violadas.

A recente campanha visa promover a difusão da cara de Kony, para que este seja finalmente capturado, apesar de não ser visto há cerca de 6 anos. E esta é uma das muitas críticas feitas à iniciativa da ONG norte-americana.

Para além do desaparecimento de Kony, o número de militantes do LRA tem diminuindo drasticamente, calculando-se que sejam hoje apenas algumas centenas e tenham como zona de actuação apenas uma pequena região no norte do Uganda.

“O retrato feito dos seus crimes no norte do Uganda são de uma era que já passou. O seu momento áureo ocorreu entre 1999 e 2004 onde milhares de crianças se refugiavam nas ruas de Gulu para escapar aos raptos da LRA. Hoje, essas crianças são quase adultas. Muitos estão desempregados e Gulu tem os números mais elevados de prostituição infantil. E também uma das taxas mais altas de infecção por HIV e Hepatite”, relata o jornalista do Uganda Angelo Izama, notando que há problemas mais graves para resolver do que a captura de Kony.

As finanças da ‘Invisible Children’ estão também na ordem do dia. Sem nunca terem sido alvo de uma auditoria externa, os membros mais antigos da ONG auferem cerca de 60 mil euros anuais.

Mais recentemente, fotografias polémicas dos fundadores foram publicadas na Internet. Nelas, Bobby Bailey e Laren Poole empunham armamento de guerra ao lado dos guerrilheiros da ‘Sudan´s People Liberation Army’ – que receberam o apoio da ONG para continuarem a sua luta contra a LRA. O problema é que também este grupo militar é acusado violações repetidas dos direitos humanos.

Fonte: Sábado

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