Moções, petições, declarações, acusações… Ahhhh, Portugal!

Os “ões” andam na moda em Portugal, e parece que a febre veio para ficar, pelo menos por agora.

Para os lados do Largo do Rato, o mar parece mais picado, com a Comissão Política Nacional do PS a aprovar, por unanimidade, uma Moção de Censura ao governo. Ao contrário do que o voto possa mostrar, logo à saída da reunião José Lello mostrava algumas reservas quanto ao sucesso da moção, “Acho que este Governo deve ser censurado e deve ser derrubado, mas vamos ver o resultado”.

Mas o dia de José António Seguro não foi, de todo, tranquilo. Desde o dia da sua eleição que o fantasma “Sócrates” paira sobre ele e ontem, logo pela manhã, apareceu, qual ninfa na poesia de Camões (porque ontem foi Dia da Poesia), da penumbra, anunciado como o novo comentador político na RTP, num programa que terá como “adversário”, Nuno Morais Sarmento, ex-ministro Social Democrata. A notícia rapidamente se tornou viral e, poucas horas tinham passado da sua confirmação, já uma petição contra a decisão da direção da televisão pública, era subscrita por milhares de pessoas.

Acompanhada de comentários mais ou menos jocosos, e uns quantos mais ofensivos, a partilha do link da petição espalhou-se pelas redes sociais, resultando em mais de 85 mil assinaturas ao fim do dia. Por incrível que possa parecer, surgiu também uma petição de apoio ao “cidadão” José Sócrates, assinada, até ao momento, por pouco mais de 1000 pessoas.

O regresso de Sócrates a Portugal (entre o emprego de vendedor de medicamentos no Brasil e o curso de Filosofia em Paris, não se sabe quanto tempo cá passará), para além das petições, gerou também muita movimentação no seio das hostes rosa, com antigos fantoches, putativos derrotados candidatos a Secretário-geral do PS e futuros candidatos ao lugar de Mário Soares, a manifestarem-se.

Como já aqui referi, José Lello, já mandou umas bicadas em Seguro após a reunião da noite de ontem, em que foi votada a  Moção de Censura (este é o tal candidato ao lugar de Soares, morto para a política, mas sempre presente, pronto para mandar uma bicada aqui e ali, a ver se sobra alguma migalha. Entretanto, António Costa também já veio lamentar a o timing desta decisão do seu eterno companheiro em regressar à vida pública. Regresso esse que Pedro Silva Pereira, já garantiu, não ser um regresso à vida política (será mais uma lavagem de imagem em apoio aos camaradas).

Bem vistas as coisas, este filme parece uma reedição da novela Ferro Rodrigues/Sócrates. Após a passagem de um “grande líder”, aconteceu com Guterres e acontece agora com Sócrates (ambos deixaram o 2º mandato a meio), vem um testa de ferro para passar por momentos mais turbulentos até as águas ficarem mais a jeito, leia-se, as sondagens. Por estes dias, o líder do maior partido da oposição, e a sua estrutura, têm falado de ventos de mudança e avizinha-se uma “Primavera Socialista” com, a moção a ser chumbada com votos contra de todos os partidos, excluindo claro, o PS, que deixará Seguro entre a espada e a parede, levando à sua queda com direito a eleições, a serem ganhas por Costa, com Silva Pereira, por lá. Depois é só aguardar as eleições e voltar ao poleiro. Quase parece que estamos na Síria ou na Tunísia…

Isto tudo, vendo bem as coisas, até pode correr bem à coligação do governo mas (nem tudo é perfeito), o Sol avança hoje em 1ª página, que o Tribunal Constitucional (TC), chumbou o Orçamento de Estado. O TC explica-se, inclusivamente, ao semanário sobre a demora na análise do documento (ao semanário?!? Hum, não devia ser ao governo, ao PR, ou, quanto muito ao público, via conferência de imprensa? Porquê ao Sol?!?).

Segundo revela o mesmo órgão, o governo pode mesmo implodir. Este chumbo, a somar aos contínuos debates acessos entre Passos e Portas, poderão levar vários ministros a abandonar o governo, podendo o CDS deixar cair a coligação. Ou seja, parece que Coelho vai ter uma Páscoa difícil.

Para ajudar à pintura final, Relvas (esse grande senhor), não podia ser esquecido, o ministro volta a aparecer ao seu melhor estilo, com mais uma gafe monumental. Durante o anúncio de um programa de desporto escolar, o ministro reinventou um Portugal com 5 regiões, esquecendo-se de Açores e Madeira.

Será que temos aí mais duas privatizações à vista?

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2013/03/21/relvas-divide-o-pais-em-cinco-regioes-e-esquece-se-da-madeira-e-dos-acores

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