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Porto Sunday Sessions estão de volta para os domingos de Verão

O Porto Sunday Sessions vai espalhar-se por três zonas “verdejantes”: Parque da Cidade (Junho e Setembro), Passeio Alegre (Julho) e jardim de S. Lázaro (Agosto)

Os jardins do Porto e, em especial, o Parque da Cidade, pareciam ter perdido toda a animação, sobretudo, depois do fim do festival Primavera Sound. Mas se perderam, vão voltar a ganhar. Isto porque o Porto Sunday Sessions está de regresso para uma segunda edição. A entrada é livre. 

Com início marcado para 23 de Junho, este evento de iniciativa privada e co-organizado com pela Câmara do Porto, através da Porto Lazer, pretende preencher todos os domingos do Verão, até 29 de Setembro, com música, música e mais música. Ao todo, 56 horas, com 16 artistas convidados.

Salto, The Weatherman, António Zambujo, Mónica Ferraz, Rui Trintaeum, Miguel Bruschy, Sininho e Manuel Fúria são alguns dos potenciais nomes em cartaz. 

Porto Sunday Sessions vai espalhar-se por três zonas “verdejantes”: Parque da Cidade (Junho e Setembro), Passeio Alegre (Julho) e jardim de S. Lázaro (Agosto).

Quanto ao horário da iniciativa, que se mantém todos os domingos, vai das 16h às 20h. “Este ano, a Câmara desafiou-nos a começar mais cedo”, no arranque do S. João, no Parque da Cidade, para “estarmos em sintonia” com o Circuito da Boavista, disse Pedro Cutileiro, da organização, à Agência Lusa.

Além da animação musical, vão estar várias bancas distribuídas pelos locais do evento, com artesanato, roupa “vintage”, entre outros produtos, bem como alguns espaços de alimentação. Pedro Cutileiro alertou, ainda assim, que, se chover, e nos domingos em que isso acontecer, não poderá haver Porto Sunday Sessions.

O leilão mais rentável da história aconteceu, sem que ninguém previsse, na quarta-feira

Leilão de arte contemporânea da Christie’s rendeu 495 milhões de dólares (383,3 milhões de euros). Nunca um leilão de arte tinha somado tanto.

Mais uma vez, o mercado da arte parece passar incólume à crise económica e financeira, depois de já na terça-feira, no leilão da Sotheby’s, se terem alcançado resultados altos, entre eles dois recordes de artistas para Gerhard Richter e Barnett Newman. Ontem, aconteceu o que ninguém imaginou que pudesse acontecer: o leilão mais rentável de sempre na história da arte. Foi o leilão de arte do pós-guerra e contemporânea da Christie’s que somou 495 milhões de dólares (383,3 milhões de euros).

A noite de quarta-feira não foi uma noite igual às outras em Nova Iorque, pelo menos para os aficionados da arte. Conta o New York Times que os maiores amantes e coleccionadores de arte não falharam o leilão de ontem e, a avaliar pelos resultados, pode-se acreditar. À praça foram 70 obras da arte e apenas quatro não foram vendidas.

E, como se isso não fosse já suficiente para fazer deste leilão um sucesso, foram ainda batidos 16 recordes de artistas, entre os quais se destacam alguns nomes maiores da arte contemporânea como Jackson Pollock, Roy Lichtenstein e Jean-Michel Basquiat. Estes artistas foram, aliás, as grandes estrelas do leilão.

Number 19,1948, de Jackson Pollock (1912-1956), foi a obra mais cara da noite, ao ser arrematada por 58,4 milhões de dólares (45,5 milhões de euros). Disputado por quatro licitadores ao telefone, a obra, que foi à praça pelo preço-base de 25 milhões de dólares (19,3 milhões de euros), acabou por ser comprada por um anónimo, estabelecendo assim um novo recorde para o artista.

Não muito atrás deste valor, e também um novo recorde, ficou Woman with Flowered Hat, de Roy Lichtenstein (1923-1997), leiloado por 56,1 milhões de dólares (43,4 milhões de euros). O quadro, inspirado na obra com o mesmo nome de Picasso, foi comprado por 50 milhões de dólares (38,7 milhões de euros) bem acima dos 32 milhões de dólares (24,7 milhões de euros) estimados pela leiloeira, pelo joalheiro londrino Laurence Graff, criador da Graff Diamonds. Ao New York Times, Graff mostrou-se satisfeito com a compra, explicando que foi uma prenda de aniversário que decidiu oferecer a si próprio. Laurence Graff completa 75 anos em Junho. “É uma obra-prima, há anos que conheço esta pintura.”

Mas esta não foi a única obra de Roy Lichtenstein a superar as expectativas. Nude With Yellow Flower, de 1994, foi à praça por 12 milhões de dólares (9,3 milhões de euros) e acabou por ser leiloado por 23,6 milhões de dólares (18,2 milhões de euros).

Mesmo assim, um valor muito abaixo da terceira estrela do leilão da Christie’s. A tela Dustheads, de Jean-Michel Basquiat (1960-1988), foi vendida a um licitador ao telefone que pagou 48,8 milhões de dólares (37,7 milhões de euros). Um recorde para o artista, que ultrapassou em muito as estimativas mais altas da leiloeira, que apontavam para os 35 milhões de dólares (27,1 milhões de euros). Basquiat teve ainda um trabalho em papel, Furious Man, que também superou as expectativas quando arrematado por 5,7 milhões de dólares (4,4 milhões de euros), quase quatro vezes acima das estimativas da Christie’s, que destaca o número de obras vendidas acima dos cinco milhões: 23.

“A licitação notável e os recordes estabelecidos reflectem uma nova era no mercado da arte, na qual coleccionadores experientes e novos licitadores competem ao mais alto nível”, escreveu em comunicado Brett Gorvy, responsável do departamento de arte contemporânea e do pós-guerra da Christie’s.

Para o CEO da leiloeira, Steven Murphy, os novos coleccionadores são os responsáveis pelo novo boom no mercado. “Só no ano passado 25% dos nossos compradores eram novos clientes da Christie’s”, sublinhou o responsável à Reuters, explicando que pelo menos cinco lotes comprados na quarta-feira à noite foram para pessoas que nunca tinham comprado nada.

Fonte: Público

Woman with Flowered Hat, de Roy Lichtenstein (1923-1997)
Woman with Flowered Hat, de Roy Lichtenstein (1923-1997)

Artistas retiraram exposição do edifício AXA por se sentirem desrespeitados

A exposição “Uma questão de género”, do projecto 1.ª Avenida, no edifício AXA, no Porto, foi mandada retirar na quarta-feira pela sua curadora Raquel Guerra que alegou “gravíssimos problemas de produção”.

Em declarações à agência Lusa, Raquel Guerra afirma que a decisão de desmontar a exposição é inteiramente sua, perante os “problemas de produção e uma total falta de respeito por parte da [empresa municipal] Porto Lazer, que é a entidade promotora do evento”.

Afirma a curadora que “as sucessivas faltas de consideração pelos artistas” que observou mostram “que não houve mudança nenhuma por parte da Câmara, que o respeito que eles tinham antes pelos artistas é o mesmo”.

Num comunicado, os artistas mostram-se solidários com a decisão da curadora e afirmam também “a sua recusa absoluta em coabitar no edifício AXA com a sede de campanha da candidatura autárquica de Rui Moreira, essa sim claramente ‘contaminante’ da identidade das propostas artísticas, coincidentemente (?) inaugurada no passado dia 4 de Maio”.

“Contaminante”, recordam os artistas, foi a expressão usada pela Porto Lazer para justificar uma anterior polémica no edifício em torno da obra “Portuguesa Monochrome”, de Paulo Mendes, que incluía uma bandeira portuguesa em tons de preto e cinza, que foi retirada.

Segundo os artistas, que afirmam “repulsa” por este processo, a Porto Lazer alegou que a peça seria “contaminante da identidade diversa que se pretende construir para o programa imaterial” do 1.ª Avenida.

Os artistas que assinam o documento são Amarante Abramovici, Tiago Afonso, Carla Cruz, Cristina Regadas, Dalila Gonçalves, Paula Tavares, Rita Castro Neves e Sónia Carvalho.

De acordo com a explicação de Raquel Guerra, “a máquina de produção emperrou desde o momento da montagem”. Aliás, acrescentou, “a exposição inaugurou com algumas falhas graves e eu, nessa altura, enquanto curadora, já devia ter tomado esta atitude que tomei agora”.

A gota de água foi a desmontagem de uma peça de uma artista, Cristina Regadas, sem ter sido dada qualquer informação prévia à curadora ou à artista. O plasma onde a peça era exibida foi devolvido à instituição que o cedera e, segundo Raquel Guerra, se isso “estava previsto”, o que ela desconhecia, deviam ter sido tomadas “medidas atempadas para que houvesse uma substituição”.

Perante as respostas constantes da produção de “não quero saber, é quando der”, Raquel Guerra tinha chegado “ao limite”.

“Acreditei que seria possível fazer diferente”

Enquanto curadora da exposição, Raquel Guerra não sabe até que ponto pode considerar a sede de campanha de Rui Moreira, à face da rua “é no edifício” mas, de qualquer forma, afirma que não se sente “confortável” com a sede de uma campanha eleitoral ali, “seja ela qual for”.

“Quando entrei para este projecto, achei que ia haver uma atitude completamente diferente por parte da Porto Lazer e por parte da Câmara Municipal” afirma Raquel Guerra, recordando o “divórcio existente entre o meio artístico e a autarquia”.

“Enquanto curadora, francamente achei que, quando surgiu esta oportunidade, que de facto havia uma mudança na Câmara e este investimento que estava a ser feito no edifício AXA era para devolver à cidade os seus artistas”, declara

“Ingenuamente, acreditei que seria possível fazer as coisas de uma maneira diferente, mas ninguém muda mentalidades nem posturas de um dia para o outro. As cabeças são as mesmas e, se calhar, é uma operação de charme que se quer fazer e lamento que as coisas tenham este final”, conclui.

A agência Lusa tentou obter uma reacção da Câmara e da empresa Porto Vivo, que não foi possível até ao princípio da tarde desta quinta-feira.

Fonte: Porto24

Teatros transmontanos parece que têm mel

Custam ambos mais ou menos o mesmo ao erário público, mas distinguem-se na intensidade, e filosofia, de programação. Em comum têm o apreço do público: são muito populares os teatros transmontanos.

Helena Genésio, diretora do Teatro Municipal de Bragança, expõe, com pundonor, um princípio definidor da sua programação: “Somos o único teatro municipal do país que não acolheu o ‘stand-up comedy’ do ‘Levanta-te e ri’. Programar esses espetáculos, popularuchos, comerciais, seria uma cedência, aquilo não é serviço público”. E a diretora, que diz ter recebido aí muitas pressões para mudar de posição, resistiu e agora cita o ensaísta George Steiner para se fundamentar: “Quero elitismo para todos. Todos têm que ter acesso ao melhor de tudo”.vista-aerea_pr

No distrito ao lado, Vila Real, a filosofia é distinta: o ‘stand-up’, que é pago com patrocínio, custa zero ao Teatro e ao espectador, tem lugar cativo às terças no café- -concerto e esgota sempre os 200 lugares semanais.

Apesar das diferenças – Vila Real é um turbilhão de programação, tem mais variedade teatral, muita mais musical, tem três salas, a sua média, em nove anos, é de um espetáculo por dia; Bragança, que escolheu ter um só auditório, só aguenta dois espetáculos por semana -, as duas salas municipais têm em comum as excelentes taxas de ocupação: 90% na primeira, 98% na segunda (números fornecidos). Vítor Nogueira, diretor do Teatro de Vila Real, aclara: “São números confortáveis para nós, que garantem 40% de receita própria no orçamento de 900 mil euros/ano. É uma preciosa ajuda e precisamos dela”. Na comparação direta, Bragança vai perder: o orçamento operativo (programação e manutenção do teatro) é de meio milhão de euros, verba que vem todos os anos do cofre municipal. Helena Genésio comenta: “O retorno é imaterial, é educação. Um povo inculto é, como sabemos, um povo fraco. Depois, a cultura não tem de ser subsidiada, mas tem que ter investimento”.

Filosofias diferentes

A Direção do Teatro de Bragança responde diretamente à vereação da Cultura, não estando prevista, aqui, mutação regimental. Inalterada deverá manter-se a situação de sala única do Teatro, que fechou ao público o seu 7.oº piso, onde poderia funcionar um café-concerto, mas o espaço está cativado pela presidência da Câmara e só abre, poucas vezes ao ano, para cerimónias protocolares.

No Teatro de Vila Real, que abre 365 dias por ano, é diferente: funcionava numa empresa municipal e vai refundar a forma de gestão. Há duas hipóteses: ser agregado por uma nova empresa que junte as empresas municipais em liquidação; ou entrar numa nova associação supramunicipal que junte Vila Real aos teatros da Régua e de Lamego. Vítor Nogueira não explicita preferência, sublinha só um imperativo funcional: “O Teatro tem de garantir autonomia administrativa e financeira”.

Fonte: JN