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Estudantes, queimas, praxes, trajes e afins… Mesmo a crítica tem limites

Ontem, durante o meu “passeio” pelos sites dos jornais, deparei-me com o artigo que, em seguida, apresento, e que, ao longo do dia foi sendo partilhado por diversas pessoas.

Usando um tema bastante atual, o autor (Nicolau do Vale Pais), solta a caneta e faz uma análise da situação, do seu ponto de vista, obtuso e ofensivo.

Aqui fica o texto…

“A morte saiu à rua” na Queima do Porto

No passado dia 4 de Maio, Marlon Correia foi assassinado a sangue frio dentro do recinto da Queima das Fitas do Porto, vulgo Queimódromo.

No passado dia 4 de Maio, Marlon Correia foi assassinado a sangue frio dentro do recinto da Queima das Fitas do Porto, vulgo Queimódromo. Marlon tentava proteger a receita proveniente das vendas de ingressos daquele certame, da responsabilidade da Federação Académica do Porto. Foi abatido com dois tiros letais; a morte saiu à rua, mas a Queima não podia parar.

A Federação Académica do Porto (FAP) é uma federação de associações, mas só para o que lhe interessa. Como lembrava Alfredo Leite no “Jornal de Notícias” no dia seguinte, se perguntarmos à população estudantil do Porto qual o papel da FAP nas suas vidas, a resposta será previsivelmente “gerir o dinheiro da Queima”. Alfredo Leite lembra, por exemplo, o facto da FAP cartelizar (a palavra é minha) a venda de bebidas alcoólicas para a “festa”, obrigando as associações que a constituem a abastecerem-se de produto junto da própria FAP…

Aqui e acolá, em resposta às reflexões nascidas desta tragédia, surgem já algumas vozes que vão levantando o pano sobre o que está por detrás desta negociata, obrigando-nos a reflectir sobre a nossa tolerância para com a mesma, que inclui a cedência a custo zero de uma fatia gigante do Parque da Cidade em nome da “celebração”, da “comunidade” e da “tolerância”; ou seja, em nome de tudo aquilo que a FAP não soube defender quando a morte lhes bateu à porta. Da minha parte, penso que esta é uma oportunidade negra, mas única, para reflectirmos sobre o lugar relativo da Praxe e das Queimas na comunidade universitária, ou na construção da própria imagem da universidade como local de especialização técnica e emancipação pessoal, no caminho para a idade adulta. No fundo, é terrível, mas natural, que uma instituição que promove a praxe como ritual de “integração” não perceba nada de dignidade humana; não seria de esperar que quem faz da humilhação “integração” percebesse os elementares valores que se levantavam perante a barbaridade. Viver na estupidez militante de justificar, seja porque meios for, a humilhação de terceiros, implica uma perigosa falta de imaginação, implica não perceber o essencial da vida em sociedade; e o essencial é que não há perdão possível nem para o(s) homicida(s), nem para a indiferença manifestada ao nível oficial, muitos menos para explicações tíbias. Três gestos públicos básicos teriam cumprido na elementar obrigação de luto:
– a suspensão da Queima por 24 horas em homenagem ao defunto;
– o esclarecimento cabal e inequívoco dos factos ocorridos e a manifestação pública de um empenho incansável na procura e criminalização dos responsáveis;
– a transformação da receita dos bilhetes daquela noite em fundo de apoio à família do jovem, que ainda por cima se encontra deslocalizada na Venezuela, de onde tinham mandado o filho para Portugal, à procura de outra dignidade.

Como na canção de José Afonso “A morte saiu à rua” (dedicada ao pintor José Dias Coelho, assassinado pela PIDE em 1961), é a violência que dispara, mas é a cobardia que a deixa perpetuar. Podem dizer-me que havia muitos contratos a cumprir, muitas responsabilidades etc…; mas isso só pega na bem-falância natural de uma classe dirigente universitária cada vez mais próxima dos piores tiques de irresponsabilidade da classe política, com quem se entende às mil maravilhas na legitimação pública destes negócios, disfarçados de certames ou tradição ou lá o que é. Só que, e desculpem a frieza causídica, se não há nos contratos de organização do evento cláusulas de força maior, então é porque os meninos que o organizam ainda são só isso, meninos, e ainda não perceberam nada da liberdade que os deixa ter poder. Cresçam, e apareçam. Depressa.

Tudo o que de pior se poderia pensar sobre o deboche do ser humano implícito no vosso trajar ficou à mostra, e nem com muita má vontade se poderia imaginar pior.

Fonte: Jornal de Negócios

A morte de um jovem, mais ou menos dramática, estudante ou não, é, por si só, um momento de profundo pesar e que, em certas circunstâncias nos deve fazer parar para pensar.

O que aconteceu com Marlon Correia, no dia 4 de Maio, é um momento de dor, dor não só para a família e amigos mais próximos mas para toda a gente, é a vida de um jovem que chega ao fim, de forma violenta e repentina.

A atitude da FAP, ao não encerrar o recinto na primeira noite da queima é, no mínimo, reprovável. Num momento como este não há lugar a interesses contratuais instalados, ou qualquer tipo de festejo. Toda a comunidade universitária sentiu esta morte de uma forma especial, e isso ficou patente nas diferentes mensagens de pesar que foram enviadas nas redes sociais, esse pesar merecia um melhor respeito por parte da organização do evento.

(Não vou aqui discutir a “cartelização” das bebidas, ou o “aluguer” gratuíto do espaço do evento que o autor refere)

No entanto, apesar deste meu consenso com o autor do texto, discordo, em absoluto, de algumas passagens, chegando mesmo a sentir alguma comichão com certas afirmações.

A certa altura, o autor decide fazer uma reflexão, ao jeito da que eu agora aqui faço, sobre o papel das Praxes e das Queimas no ensino universitário. Essa reflexão é feita, usando expressões como: “é terrível, mas natural, que uma instituição que promove a praxe como ritual de “integração” não perceba nada de dignidade humana”, ou “não seria de esperar que quem faz da humilhação “integração” percebesse os elementares valores que se levantavam perante a barbaridade”. É, no meu entender, de muito mau gosto, tentar transformar a praxe num qulquer ritual de humilhação abaixo da condição humana.

A praxe sempre foi, é, e será, um momento de iniciação, que permite aos novos alunos conhecer melhor os seus companheiros de curso, pessoas que acompanharão o seu dia-a-dia nos próximos 3/5 anos. São feitas brincadeiras, inventados “cânticos de guerra” de apoio ao curso ou Universidade a que se pertence, há de tudo um pouco.

Ao contrário do que o autor insinua, as praxes humilhantes da dignidade humana são coisas do passado, no passado muitos eram os relatos de abusos nos momentos de praxe. Abusos esses que foram sendo combatidos com uma maior regulação das praxes e um controle mais apertado, mesmo pelos próprios professores das universidades. Como em tudo na vida, existe quem abuse desse “poder” de praxar, mas não dura por muito tempo, rapidamente o abusador é afastado sem que problemas de maior se registem. Penso serem escassos os números de relatos violentos em praxes.

Após toda esta frontalidade, o texto parecia acabar de forma positiva com mais um “puxão de orelhas” à FAP, referindo-se, novamente ao não encerramento do recinto e às desculpas dos contratos.

Quando, de subito me apercebo de um último parágrafo em jeito de conclusão… foi aqui que senti as comichões…

“(…) o deboche do ser humano implícito no vosso trajar (…)” DEBOCHE?!? Será que o autor tem ali algum racalmamento mal esclarecido do seu passado universitário?

O traje não é, num foi nem nunca será um símbolo de deboche do ser humano. O traje é o orgulho de um estudante universitário, se os nossos trajes falassem, quantas estórias não teria para contar… Não é deboche senhor, é orgulho e esse orgulho não é só dos estudantes, é também das suas famílias e de muitos anónimos que com eles se cruzam na rua diáriamente. Ver um aluno trajado na rua deve ser um sinal de orgulho para todos, orgulho no futuro que, debaixo daquelas vestes, se prepara para o futuro.

Vestir o traje obriga-nos, desde logo, a despojar-nos de qualquer valor material (brincos, fios, pulseiras, aneis, etc), nada disto tem lugar quando um estudante veste um traje, as raparigas devem, alias, quando trajadas, evitar qualquer maquilhagem.

O traje foi implementado nas universidades com um objectivo, esbater as diferenças sociais existentes entre alunos, para que todos se tratassem de forma igual, na universidade havia dois tipos de pessoas, os professores e os alunos. Usando o traje as pessoas não seriam olhadas ou tratadas de acordo com as roupas que podiam ostentar.

Trajei e orgulho-me de o dizer, praxei e não o escondo, acho que nunca ultrapassei limites e trajando, fiz por respeitar o que vistia e a capa que carregava aos ombros.

Para terminar fica aqui uma música ao vivo da Tuna Académica da (minha) UTAD – TAUTAD – que hoje, dia 11, celebra 30 anos de existência. Parabéns.

Estudante morto durante assalto violento ao Queimódromo

Um estudante da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto foi abatido a tiro, na madrugada deste sábado, quando tentou resistir a quatro assaltantes encapuzados e armados que irromperam na zona das bilheteiras do Queimódromo do Porto, na Estrada da Circunvalação. Dois seguranças do recinto da Queima das Fitas foram também alvejados mas o seu estado não inspira cuidados.

O assalto ocorreu por volta da 1.15 horas, altura em que vários estudantes, trabalhando por conta da Federação Académica do Porto (FAP), procediam à contagem e entrega do dinheiro dos bilhetes vendidos durante o dia para a Semana Académica.marlon

O apuro, “presumivelmente várias dezenas de milhar de euros”, segundo fonte académica, deveria ficar à guarda da Esegur. Foi pouco antes da chegada da carrinha de valores que se deu o assalto, que acabaria fatal para o estudante Marlon Barbosa Correia, de 24 anos, finalista do curso de Desporto da Universidade do Porto e jogador de futebol do Sporting Clube Arcozelo, em Gaia.

Imposto, pela polícia, um silêncio quase total à volta do sucedido, e com o Queimódromo verdadeiramente “sitiado” pela PSP e PJ, não foi possível ao JN obter muitos pormenores durante estas primeiras horas que se seguiram ao dramático assalto.

Fonte da PSP apenas revelou que os assaltantes entraram no recinto aos tiros e começaram por assaltar um casal de jovens, de 22 e 24 anos respetivamente, a quem levaram todos os pertences que traziam consigo. Só depois dirigiram-se ao local onde se encontrava o cofre.

Rúben Alves, presidente da Federação Académica do Porto, revelou que os assaltantes acabaram por fugir sem levar o dinheiro.

Durante os acontecimentos, dois seguranças sa SPDE – a empresa que presta segurança ao recinto – ficaram feridos no tiroteio. Foram conduzidos ao Hospital de Santo António, onde, depois de tratamento a alguns ferimentos, tiveram alta.

Marlon Correia nasceu em Caracas, na Venezuela. Filho de emigrantes portugueses, veio viver para Portugal com os pais e um irmão, em 2002. Segundo fonte familiar, os progenitores decidiram regressar a Portugal porque “achavam que aqui era mais seguro”.

Fonte: JN

Relvas abandona conferência depois de ser vaiado

O ministro dos Assuntos Parlamentares desistiu de fazer a sua intervenção, após os insultos e vaias do grupo de estudantes.

Miguel Relvas foi alvo de contestação no auditório do ISCTE onde participa na conferência “Como vai ser o Jornalismo nos próximos 20 anos?”, organizada no âmbito das comemorações dos 20 anos da TVI. Um grupo de jovens gritou palavras de ordem à entrada do ministro, como “Este Governo não tem Educação” e “Demissão”, envergando cartazes.

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Relvas ia encerrar a conferência, mas foi impedido de falar pelos manifestantes e acabou por sair do púlpito.

Já ontem à noite, o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares foi interrompido quando discursava no Clube dos Pensadores, em Gaia, por protestos de cerca de duas dezenas de pessoas, que cantaram “Grândola Vila Morena” e exigiram a sua demissão. “25 de Abril sempre! Fascistas nunca mais”, “gatunos” e “demissão”, gritaram os manifestantes, interrompendo, cerca das 21:40, o discurso de Miguel Relvas, que falava há cinco minutos.

O ministro ainda tentou dirigir-se aos manifestantes, mas a sua voz foi abafada pelos protestos. “Sim, vamos todos cantar”, disse Miguel Relvas, que só conseguiu voltar ao seu discurso depois de o grupo ter saído por sua iniciativa da sala. “Nestas circunstâncias [estas manifestações] não me desencorajam, não tenho qualquer tipo de preconceito”, afirmou Relvas após os protestos.

Fonte: Ecómico

Sporting atribui bolsas de estudo aos sócios mais jovens

Jovens com dificuldades financeiras podem candidatar-se a bolsas para estudar do ensino básico ao doutoramento.

As finanças do clube podem já ter visto melhores dias mas, todos os anos, os sócios mais jovens (e menos favorecidos) do clube, do básico ao ensino superior, podem candidatar-se a bolsas de estudo que ajudam a aguentar as despesas.

Basta precisar muito do dinheiro, ter aproveitamento escolar, ser adepto do Sporting Clube de Portugal (SCP) e sócio do clube há pelo menos cinco anos.

Cumprindo os requisitos, do 5.º ano ao doutoramento, todos se podem candidatar a uma bolsa de estudo que pode vir mesmo a calhar.

Através da Leões de Portugal, uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), o clube atribui bolsas aos adeptos mais carenciados.

Resultados divulgados em Novembro

Se por acaso o próximo ano for duro e o dinheiro não chegar para as propinas, basta fazer a inscrição até ao mês de Outubro e em Novembro já se sabe quem foi selecionado.

Mas há que ser-se aplicado, já que o aproveitamento escolar é determinante. No básico, a médias das disciplinas deve ser de 3,5 e no secundário e ensino superior, deve ser igual ou superior a 14 valores.

Este ano, foram atribuídas sete bolsas para o ensino básico, seis para o ensino secundário, seis para licenciaturas e três para mestrados, pós-graduações ou doutoramentos.

Universidade tem de provar que curso dá emprego para aumentar vagas

O Governo congelou o número de vagas para cursos do Ensino Superior para o próximo ano letivo, que não vão aumentar em relação a 2011-2012, a menos que as instituições consigam provar a empregabilidade dum curso.

O despacho que regulamenta a fixação das vagas para o Ensino Superior foi publicado terça-feira à noite na página da Direção-Geral de Ensino Superior (DGES) e determina que o número de vagas para cada universidade ou politécnico “não pode exceder a soma das vagas fixadas para essa instituição para o ano letivo de 2011-2012”.

A DGES poderá autorizar mais vagas em “situações particulares”: quando as instituições consigam provar que os alunos de um determinado curso têm menos probabilidades de ir parar ao desemprego.

O Governo recomenda às universidades e politécnicos que “redistribuam” as vagas que têm disponíveis para poderem aumentar o número de alunos nos cursos de “Ciências, Matemática, Informática e Engenharia”.

Por outro lado, impõe às universidades e politécnicos que reduzam em pelo menos 20% o número de vagas nos cursos de professor do ensino básico e educação de infância, onde identifica “excesso de oferta”.

Devem também ser reduzidas as vagas nos mestrados de habilitação profissional para a docência.

Nos cursos de Medicina, a oferta em 2012-2013 deve ser igual à deste ano letivo.

No despacho, o executivo diz ainda às instituições de ensino superior que não devem ter no próximo ano letivo mais cursos do que tiveram este ano, salvo um conjunto de exceções, como sejam cursos lecionados à distância.

O Governo decidiu também que não serão financiadas novas admissões em cursos que neste ano letivo tenham tido menos de 20 inscrições ou menos de 40 desde o ano letivo de 2009-2010.

O despacho impõe também que não podem ser abertos cursos com menos de 20 vagas, a não ser em cursos preparatórios de Artes, ou resultantes de protocolos internacionais, que não sejam financiados pelo Estado ou quando se prove a sua “especial relevância”, entre outras exceções.

Para pedirem à DGES a apreciação do aumento de vagas num determinado curso, as instituições terão que provar primeiro que não têm vagas a libertar em cursos que não ficaram completamente preenchidos.

Para o cálculo da empregabilidade, devem usar como referência os números da Direção-Geral de Estatística e Ciência, que registam o número de desempregados por curso inscritos nos centros de emprego.

Deverão provar que “o nível de desemprego nesse curso é inferior ao nível médio de desemprego dos diplomados com um curso superior”.

Fonte: JN