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Pêpa Xavier ganha 700 euros e diz que tem direito a sonhar com a mala Chanel

A “blogger” de moda que escandalizou o país da Net e levou a Samsung a retirar os anúncios a um “tablet” diz que ganha 700 euros por mês num emprego precário e que a crise está a afetar muito a família. Pêpa Xavier não se arrepende de querer uma mala Chanel de 3 mil euros, porque tem, como todos, “o direito de sonhar”.

Pêpa Xavier, de 25 anos, indignou o país da Internet ao desejar uma mala “Chanel” preta, clássica, que pode custar mais de três mil euros para 2013. A blogger de moda não se arrepende de ter verbalizado um dos sonhos que acalenta, durante uma entrevista que serviu de base a um vídeo promocional a um tablet da Samsung.

A repercussão negativa na Internet e a chuva de críticas levaram a marca sul-coreana a retirar a campanha, que tinha por base os desejos de cinco bloggers ligados à moda.

“Não estou arrependida. Abri a porta da minha casa, falei dos meus desejos pessoais, que são mais do que uma mala Chanel”, disse Filipa, “Pêpa”, Xavier. “Não me arrependo, porque temos o direito de poder sonhar”, acrescentou.

Em entrevista à SIC Notícias, a “blogger” explicou o desejo da mala Chanel. “Como uma jovem de 25 anos, com o primeiro emprego remunerado, gostava de começar a juntar dinheiro para concretizar algo no âmbito da moda que acho importante”, disse Pêpa Xavier, que segundo o canal de Carnaxide ganha 700 euros mos mês.

Em resposta à indignação que correu as redes sociais em Portugal, Pêpa Xavier diz ter “consciência das dificuldades que o país está a passar”, porque as sente na pele. “Também estou a sofrer bastante com esta crise. A minha família está a ser bastante afetada”, disse.

À pergunta da jornalista Maria João Ruela, Pêpa disse que sim, que “gostava de ajudar alguém a vestir-se para uma entrevista de emprego”, porque é no trabalho que centra o desejo mais importante para 2013.

“Gostava que houvesse mais emprego, não só precário. Eu própria tenho um emprego precário”, disse Pêpa Xavier. “Neste momento, a minha família não me pode ajudar. Tudo o que tenho depende do meu trabalho”, acrescentou.

O tom de voz nasalado, típico de “tia” da “socialite” também agitou as redes sociais e as conversas de café laborais. Pêpa explica que “estava nervosa”, por não estar habituada a falar para uma câmara.

“Foi uma entrevista de duas horas, em que me pediram 12 desejos, mas escolheram só um no vídeo”. Aquele que se sabe, “uma mala Chanel, preta, daquelas clássicas que vai bem comtudo” e que tanto mal-estar causou.

“Tenho tentado preservar-me, manter o sangue frio e fazer a minha vida normal”, disse Pêpa Xavier, consciente da repercussão que a declaração de um desejo teve nas redes sociais e no mundo da Internet. “Tenho tido feed-back de amigos, de Macau, Brasil e Inglaterra. “Tenho tentado não ler as críticas, nem negativas nem positivas”, acrescentou.

Fonte: JN

Keybag: de projecto universitário a peça vendida no MoMA

A Keybag de João Sabino conquistou o mercado internacioanal. A Keybagold, mais recente versão da mala, quer conquistar o mercado do médio-oriente.

Antes do interesse do Blackberry, do MoMA e de um norueguês encantado que pagou 15 mil euros por uma peça, João Sabino via as suas malas apenas como mais um “contentor de objectos”.

Estávamos em 2004 quando o jovem estudante de Design Industrial na antiga ESAD, nas Caldas da Rainha, apresentou um porta moedas a que chamou Keybag como trabalho de curso.

Interessavam-lhe os objectos do dia-a-dia, a desconstrução dos objectos e a descoberta de novas funcionalidades. Foi por isso que começou a olhar para teclados de computador com outros olhos. As teclas, como fragmentos e reorganizadas, podiam ter mais força do que na configuração original.

O “contentor de objectos” parecia poder ser mais do que isso: “Compreendi que era algo que as pessoas desejavam ter”, disse ao P3 João Sabino, que acredita que o seu objecto faz com que andar na rua seja “uma nova experiência”.

De um blogue para o sucesso

Percebeu-o cerca de um ano depois de terminar o curso, poucos dias depois de ter feito o upload de uma imagem da mala de mão num blogue. “Um belo dia tinha 300 ou 400 emails com pedidos de compra e revistas internacionais a quererem fazer artigos sobre o projecto”, recorda.

A empresa João Sabino surge mais tarde, em 2008, já com “30% de risco” e “70% de certezas”, numa altura em que as encomendas que recebia eram superiores ao que produzia.

Do porta moedas com 111 gramas apresentado como projecto de curso, João Sabino evoluiu para uma mala de mão feita com 393 peças. Há versões em várias cores (preto e branco a 115 euros, vermelho e rosa a 105, entre outros), e uma versão em prata (Keylver), adquirida por um cliente norueguês, em 2010, por 15 mil euros e que funcionou como uma porta de entrada do produto nos mercados de luxo.

Acabada de ser lançada, a Keybagold é uma versão em dourado onde “as letras das teclas são desenhadas com zircões”. Uma peça feita com cerca de seis mil zircões que, antevê João Sabino, deverá conquistar o médio-oriente, “onde este tipo de objectos são bastante apreciados”.

A conquista internacional iniciou-se há muito tempo – aliás, 90% das vendas são no mercado externo –, com um convite da AT&T para integrar a publicidade do Blackberry Torch em 2010. Foram oito meses de visibilidade na televisão norte americana, o que terá correspondido a “mais de 80 milhões” de visualizações.

O Museu e Arte Moderna (MoMA) de Tóquio “copiou” recentemente a ideia do MoMA de Nova Iorque, que decidiu adoptar a Keybag de João Sabino como uma das peças vendidas na sua loja. “São dois pontos importantes na consolidação do produto e da marca”, admite o designer nascido em 1976.

Viver do design, diz João Sabino, “é acima de tudo viver da nossa intelectualidade e competências de gestão”. E, claro, um projecto que é sempre a médio ou longo prazo, e possível para quem combinar o binómio prudência-risco de forma perfeita.

Fonte: Público